Idosos que fumam maconha tomam menos remédios

maio 09, 2017

Idosos que fumam maconha tomam menos analgésicos, antidepressivos e remédios para dormir. Esse é o resultado da primeira pesquisa a estudar como a maconha medicinal, legalizada em parte dos Estados Unidos, está transformando a realidade de idosos americanos.


Os pesquisadores americanos focaram nos números. Por lá, não há um SUS para toda a população. Existe apenas o Medicare, um sistema nacional de saúde para idosos e pessoas com doenças graves, que também cobre os custos com medicamentos. Foram os gastos desses órgãos que revelaram o impacto da maconha medicinal no país.

Os autores estudaram nove quadros em que a maconha pode ser recomendada como tratamento: ansiedade, depressão, glaucoma, náuseas, dor, convulsões, distúrbios de sono e espasticidade (rigidez muscular). O número de remédios normalmente prescritos para oito dessas doenças caiu em todos os estados em que a maconha medicinal foi legalizada até 2013.




A única exceção foi o glaucoma – já que os efeitos da maconha sobre os sintomas só dura uma hora. Nem para os aposentados mais maconheiros dá para imaginar uma vida fumando maconha a cada hora do dia.

A economia que o Medicare fez sem ter que comprar todos esses remédios foi de US$ 165 milhões (R$552 milhões). Se o país inteiro aderisse a maconha medicinal, os pesquisadores calculam uma redução total de US$ 470 milhões (R$ 1,5 bilhão) no orçamento do seguro-saúde.

Como no âmbito federal a maconha ainda é proibida, os médicos só podem recomendá-la, em vez de fazer uma receita oficial. Por isso, a maconha não é coberta pelo plano de saúde. Mas, pelos cálculos deles, mesmo que o seguro cobrisse as doses de cannabis, ainda estaria economizando: maconha é muito mais barata que opioides como morfina e oxicodona.


Não dá para afirmar que todos os idosos poderiam substituir os remédios por maconha, mas os pesquisadores acreditam que a cannabis tem relação com a queda da prescrição dos medicamentos. Em 2013, os estados onde a droga era legal receitaram 1.800 doses a menos de analgésicos que os estados onde não é. Além disso, para as doenças que não podem ser tratadas com maconha, nada mudou. O número de receitas para anticoagulantes, por exemplo, não foi afetado.

A descoberta de benefícios para pessoas na terceira idade com o uso da maconha não para por aí. Veja também como um estudo comprovou que apesar de nos jovens a maconha prejudicar a memória e a atenção, na velhice parece turbinar ambas.

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