Maconha ou tabaco, qual é pior para a saúde?

maio 31, 2017

Fumar maconha pode ser tão ruim quanto fumar cigarro? E a maconha que a maioria dos brasileiros tem acesso, um bloco escuro de fumo prensado contrabandeado e sem nenhum controle de qualidade, é de fato pior para a saúde? Essas são boas perguntas com respostas um pouco complicadas. Ainda não existem muitos estudos, porém o que fica extremamente claro é que as duas substâncias não são a mesma coisa, portanto, entre maconha ou tabaco, qual é pior para a sua saúde?


Qual é o problema da fumaça afinal?



O homem vem lidando com o fogo por milhares de anos mostrando ser capaz de lidar de alguma forma com as substâncias toxicas produzidas com a queima. É o que também comprovou um estudo publicado em 2016 (pela Molecular Biology and Evolution) revelou que somente os homo sapiens, e não seus antepassados neandertais, tem desenvolvido uma adaptação genética que os fazem conseguir quebrar, até um certo nível, as toxinas liberadas na fumaça.

Da mesma maneira que desenvolveram este super poder, puderam adquirir alguns hábitos ruins. Existe uma grande diferença entre ficar em frente a uma fogueira e inalar a queima de uma planta direto para os pulmões. Respirar toxinas da fumaça pode gerar infecções, enfraquecer seu sistema imunológico, e até interromper seus sistema reprodutor.

Até o momento, o maior problema sobre qualquer tipo de fumaça, é o envelhecimento. Fumaça, incluindo a da cannabis, expõe a pele a ação de radicais livres que promovem o envelhecimento precoce da pele. 

De qualquer forma, pesquisas sugerem que fumaça não é tudo a mesma coisa. Enquanto a maioria das substâncias contém e liberam carcinogênicos, moléculas que vão danificar o funcionamento da célula e contribuir para o câncer, plantas e substancias criam toxinas diferentes ao serem queimadas. Alguns desses gases podem ser mais nocivo que outros.

Fumaça de Tabaco



Quando se trata de fumaça, pesquisas afirmam que o tabaco é de longe a substância mais nociva para os pulmões. 80% a 90% dos casos de câncer de pulmão são causados pela fumaça do tabaco, Além disso, o tabaco está associado a mais de 200 mil mortes anuais no Brasil e 400 mil nos Estados Unidos, por exemplo.

Um estudo feito em 2005 sugeriu que a fumaça de cannabis e tabaco não são igualmente cancerígenos. A fumaça do tabaco também contém nitrosamina, que é considerado o maior contribuinte para os cânceres relacionados ao tabaco, e embora tenha sido amplamente pensado que o alcatrão e as moléculas cancerígenas na fumaça eram as principais causas de câncer relacionadas ao tabaco, a nicotina é que pode realmente aumentar o desenvolvimento de tumores.

Os agentes cancerígenos na fumaça do cigarro são conhecidos por não só contribuir para o câncer de pulmão, mas também para o câncer de cólon e retal.

A fumaça de cigarro também contém nicotina, O consumo de nicotina está associado a um risco maior de desenvolver resistência a insulina, diabetes tipo 2 e problemas de tireoide. 



Fumaça de Cannabis 


Os estudos que buscavam ligação entre o uso moderado de cannabis e câncer de pulmão, cabeça e pescoço, falharam. Na verdade, em 2015 um estudo descobriu que fumar o equivalente a um baseado por dia por 20 anos não está associado com a perda da capacidade pulmonar. No entanto, o veredicto final sobre se a maconha aumenta os riscos de câncer de pulmão não foi dado.

As pesquisas mostram que o uso da erva pode causar irritação nas vias aéreas, como é previsto por estar inalando fumaça quente, porém tais danos são reversíveis já que a maconha ajuda na tensão muscular, relaxando os músculos da traqueia e facilitando a respiração. 

Outro estudo que sugere que a fumaça da cannabis a longo prazo está associada ao aumento de doenças periodontais, talvez devido ao contato da fumaça quente com a gengiva. No entanto, é difícil dizer se outros fatores contribuem ou não para o problema.


No ano de 2016 um estudo realizado mostrou que um minuto de exposição a maconha de baixa qualidade causou danos aos vasos sanguíneos. Eles levaram três vezes mais tempo para retornar a função normal. Também é importante ressaltar que, enquanto humanos e roedores tem vasos sanguíneos semelhantes, conforme já mencionamos, humanos parecem ter uma capacidade mais efetiva de metabolizar toxinas de fumaça do que outros animais. Por isso, ainda acaba sendo mais especulação do que comprovação para a comunidade usuária de cannabis.

Ao contrário da alta taxa de mortes relacionadas ao tabaco, o consumo de cannabis ainda não está associado de forma conclusiva a nenhuma morte. 

Também ao contrário do aumento dos tumores devido a fumaça de tabaco, os canabinoides mostram efeitos protetores antitumorais nos pulmões, mama, próstata, pele e outras formas de doenças. 

Além disso, os compostos da cannabis estão atualmente sendo estudados como um tratamento prospectivos (que busca antecipar o tratamento, uma forma de prevenção) para diabetes tipo 2 e resistência a insulina. 

Ainda falta muito o que descobrir sobre os efeitos da maconha no corpo, porém, o que já começa a ficar claro, é que aparentemente a cannabis, apesar de ainda ser proibida, é menos nociva para o organismo humano do que o tabaco.



























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