Maconha tem efeito oposto quando você envelhece

maio 09, 2017


Na balança entre os benefícios e os malefícios da maconha, a idade se revelou ser um fator mais importante do que se imaginava. Foi o que pesquisadores concluíram com uma pesquisa feita com ratos na Universidade de Bonn, na Alemanha.

Os cientistas queriam entender qual seria o efeito do THC, se fosse dado aos ratos em doses baixas, mas diárias, por um período maior de tempo.

Eles dividiram os ratos em três grupos: um de jovens, outro de ratos na meia idade e um último de idosos. Os animais foram testados com relação à capacidade de aprender e à memória usando pequenos labirintos. Eles observaram quanto tempo os roedores levavam para explorar o trajeto certo e, depois, para perceber quando estavam num caminho já percorrido anteriormente.




A próxima etapa foi dar microdoses de THC durante 30 dias para cada rato. A quantidade era tão pequena que não poderia causar efeitos psicoativos. Mesmo assim, ao fim do teste, o desempenho dos ratos jovens piorou muito dentro do labirinto.

O resultado é sólido com pesquisas em humanos que mostram que a memória de curto prazo fica prejudicada enquanto durar o uso, ainda que os efeitos sejam reversíveis.

Mas o grupo de ratos idosos surpreendeu os pesquisadores, pois , no caso deles, o uso do THC trouxe uma melhora cognitiva significativa, impulsionando a memória e a atenção e mostrando resultados melhores dentro do labirinto.


Mas qual foi o nível da melhora? Bem, no grupo de controle, sem drogas envolvidas, os ratos jovens tinham um desempenho muito melhor que os dois grupos mais velhos. Já no grupo que recebeu o THC, a performance dos ratos idosos foi tão boa quanto a dos jovens que não usam o THC.

Traduzindo, foi como se as baixas doses do canabinoide tivessem rejuvenescido a cognição dos roedores. Por quê? Os cientistas têm uma teoria.

A maconha tem efeito no cérebro porque suas moléculas imitam substâncias produzidas no próprio corpo, processadas pelo sistema endocanabinoide, presente no cérebro de todos os mamíferos.

Os mesmos pesquisadores fizeram testes com ratos geneticamente modificados para ter problemas no sistema Endocanabinoide, e constatou-se que eles envelheciam mais rápido e tinham problemas cognitivos mais cedo.

Mesmo em idosos saudáveis, esse sistema já não funciona tão bem. Dessa forma baixas doses de THC podem ser o estímulo necessário para equilibrar as coisas novamente, impedindo o declínio da atenção e da memória.

O mesmo mecanismo esclarece o prejuízo na mente dos jovens: o sistema endocanabinoide deles ainda funciona perfeitamente bem. Contudo, adicionar mais estímulo acaba desequilibrando o sistema e pecando pelo excesso.

Os cientistas alemães repetiram a experiência várias vezes e sempre conseguiram os mesmos resultados. O próximo passo é começar um estudo diretamente com humanos. Por mais promissor que pareça, entretanto, eles alertam que o THC isolado usado na pesquisa está bem abaixo da quantidade encontrada em um único baseado. Sendo assim, nada de passar o baseado para turbinar a memória da sua avó.

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