A verdade sobre a origem da maconha

maio 04, 2018

A história da maconha em usos ritualísticos ou farmacológicos em todo o mundo é antiga. Os primeiros registros da cannabis no mundo foram encontrados na Ásia Central e Meridional. Indícios da inalação da fumaça são encontradas desde 3000 a.C., como resultado de sementes da planta carbonizadas encontradas em um braseiro usado em rituais em um antigo cemitério na Romênia.

O escritor Chris Bennet declara que a maconha era usada como um sacramento religioso por judeus antigos e pelos primeiros cristãos, como resultado da semelhança entre a palavra hebraica "qannabbos" e "cannabis".

Até Shakespeare fumava um


Um estudo publicado no jornal Journal of Science indicou que cachimbos desenterrados do jardim da casa de Shakespeare, em Stratford-upon-Avon, na Inglaterra, contêm resquícios de cannabis.
A análise química foi realizada depois que os pesquisadores cogitaram a possibilidade de que a "notável erva", citada no Soneto 76, e a "viagem na minha cabeça", do Soneto 27, poderiam ser referências à maconha e ao seu uso. 


Quem disse que maconha era ruim?



John Gregory Bourke, um capitão do exército dos Estados Unidos, descreveu o uso de "mariguan" (numa tentativa descarada de associar a planta aos mexicanos), que ele descreve como cannabis indica ou cânhamo indiano, por residentes mexicanos que viviam próximos ao Rio Grande, no Texas, em 1894. 

Xarope a base de cannabis

Ele relatou o uso da planta para o tratamento contra asma, servia para afastar bruxas e como um filtro amoroso. Ele também escreveu que muitos mexicanos acrescentavam a erva em seus cigarros ou mascavam, muitas vezes ingerindo um pouco de açúcar depois, para, teoricamente, intensificar o efeito.

Propaganda alertando contra a "droga assassina" chamada "Marihuana"

Bourke compara o haxixe a mariguan, que ele dizia ser "uma das maiores maldições do Oriente", mencionando relatos de usuários que "se tornam maníacos e estavam aptos a cometer todos os tipos de atos de violência e assassinato", também causando a degeneração do corpo e uma aparência idiótica, além de ter propagado leis contra a comercialização de haxixe em grande parte dos países do Oriente.

Quando a maconha passou a ser crime?


A cannabis começou a ser criminalizada em vários países a partir do século XX. Começando nos Estados Unidos, onde as primeiras restrições à venda da erva apareceram em 1906 no Distrito de Colúmbia.

Poster para o release britânico do filme "Semente do Diabo", de Sam Newfield (1949), estrelando Lila Leeds.

No Brasil, a primeira lei de controle de entorpecentes, o Decreto 4294 de 6 de julho de 1921, que penalizava a venda de cocaína, ópio, morfina e derivados, não fazia nenhuma referência à maconha. 
Pelos 19 anos seguintes o usuário ainda não era criminalizado e a proibição não era absoluta. 


O novo Código Penal de 1940, em vigor até hoje, passou a condenar o tráfico de drogas no artigo 281. No primeiro ano do regime militar, em 4 de novembro de 1964, o artigo 281 passou a criminalizar também a posse: Plantar, importar ou exportar, vender ou expor à venda, fornecer, ainda que a título gratuito, transportar, trazer consigo, ter em depósito, guardar, ministrar ou, de qualquer maneira, entregar a consumo, substância entorpecente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar com pena  de reclusão de um a cinco anos, e multa de dois a dez mil cruzeiros.

A Guerra às drogas nunca ganha


Apesar de todos os esforços feitos nos últimos 100 anos, o "Relatório Mundial sobre Drogas" de 2012, elaborado pelas Nações Unidas, afirmou que a cannabis foi a droga mais largamente produzida, traficada e consumida no mundo em 2010, calculando algo entre 119 milhões e 224 milhões de usuários adultos (com mais de 18 anos).

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